terça-feira, 16 de abril de 2013

Solilóquio do eu para o espelho

Eis-me aqui, parada, diante do espelho.
Os cabelos bagunçados, eu analisando os meus próprios traços.
Aos 23, as rugas (que virão!) ainda não se fazem aparecer, ainda assim, já é possível ver o caminho que farão para chegar.
Bem ali, pertinho das olheiras, cada vez mais fundas, seja por conta da rinite, ou pelas noites mal dormidas resultado de muito trabalho e estudo, ou pelas dores de amor, que incomodam o meu sono, feitos vermes nas entranhas, feito borboletas no estômago.
Eis-me aqui, frente ao espelho e ao pior de tudo, frente a minha própria imagem.
Feia, entristecida, insatisfatóriamente pequena, pouco sedutora, pouco instigante.
A musica ao fundo, num francês africano diz: "je serais la plus belle, pour toi mon amour". "Mon amour", quem será? Existe? chegará qualquer dia desses, me colocará no colo e enxugará minhas lágrimas?
Tanto faz.
O celular toca.
Não.
Não é uma ligação importante.
Trata-se do despertador, lembrando que a vida está viva lá fora, apesar de gélida aqui dentro.
Lembrando que é hora de ir.

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