Para quem mora na cidade do Rio de Janeiro, sem dúvida, assistir ao filme TROPA DE ELITE 2 tem um gosto especial quase inexplicável, sobretudo bastante amargo.
O primeiro filme, embora também falasse dos dias de hoje, atingia muito mais diretamente o público que vive nas favelas do rio que sofre com o tráfico.
No segundo contudo, vemos aquilo que está nas ruas do rio, no ar da cidade.
É assustador como parece que, em vez de atores, foram selecionados policiais de verdade, pois os atores que os fazem são muito iguais, em postura, nas correntes de ouro, no jeito de falar e, claro, na corrupção.
Alías, é isso que me assusta no filme, a coisa é tão próxima que, mais do que um filme, a sensação é de estar vendo um noticiário na tv, ou um caso contado pelo vizinho, num encontro de elevador.
Essa proximidade em dado momento causa tanto incomodo que chega a afastar, que dificulta a reflexão. Aliás, no fundo, convence de uma unica opinião, bastante niilista e panfletária: a de que, pra resolver os problemas do rio, só demolindo a cidade e construindo outra.
Não bastasse a a semelhança histórica, as referências a Freixo, à milícia. O cenário é construido minuciosamente pensando nisso. A logomarca do canal de TV parece a logo da Globo, assim como a do jornal impresso parece a do jornal MEIA HORA e assim como o programa mira geral é identico ao BALANÇO GERAL.
fora isso, há também as logomarcas de vans, lanchonetes e farmacias, que são idênticas.
Essa relação de semelhança nos põe tão para "dentro" da historia, que fica difícil se distanciar, não acreditar piamente em tudo aquilo.
Não bastasse isso, num tom quase arrependido, no inicio do filme, vemos a frase: por mais que pareça com a realidade, trata-se de uma ficção.
Talvez, se isso fosse feito no filme, sem a frase no inicio, ela existisse mais do que da forma que foi feita.
fora isso, trata-se de uma boa história. E, talvez, com o sucesso das UPPs, daqui a 20 anos seja muito mais proveitoso assisti-lo.
Acredito que, nesse caso, um distanciamento minimo é preciso.
1 comentários:
o filme provocou em mim não uma sensação niilistia, mas uma sede idealista de mudar a realidade.
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